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Tecnologia e Informação

A nossa civilização parece progredir no sentido de maior captura e uso de energia, e de forma progressivamente mais eficiente.

Como já referi, a primeira grande invenção da humanidade foi a agricultura, que permitiu capturar fluxos de energia alimentar de forma relativamente constante, permitindo um planeamento mais a longo prazo das comunidades.

A domesticação animal foi outro grande avanço, permitindo mais uma vez energia alimentar relativamente constante adicionando o benefício da proteína (leite, queijo e carne animal) e fibras (para criar roupa).

Depois outra grande tecnologia foi a escrita, que inicialmente era usada para registar movimentos de comércio e efectivamente funcionava como uma forma de dinheiro. 

Mas esta tecnologia permitiu algo que até então era difícil.

Maior parte do conhecimento era cumulativo, mas estava diluído no conhecimento individual e da tribo.

Os elementos mais velhos passavam esse conhecimento aos mais novos. Como cultivar, o que cultivar, como irrigar, etc.

Se houvesse uma crise que removesse vários elementos da sociedade, como uma epidemia, fome devido a condições ambientais ou uma guerra, parte desse conhecimento era perdido e muitas vezes de forma permanente.

A escrita veio permitir que esse conhecimento ficasse registado e não fosse perdido. 

  • Veio permitir que o conhecimento se acumulasse, dado o limite da memória do ser humano;
  • Permitiu maior fiabilidade na informação registada; os humanos são muito sujeitos a vieses e a sobreposições de memórias, mas se a informação fica registada, esta pode ser acedida com a mesma acuracidade, caso não ocorra nenhum dano ao meio onde ficou assente; 
  • Permitiu maior partilha  da informação, ao poder ser acedida  independentemente de quem inicialmente a escreveu ou do local onde foi originalmente registada.
  • Permitiu replicação da informação, ao serem criadas cópias do registo original;
  • Fomentou um pensamento mais exacto e racional, evitando perdas de informação devido a lapsos de memória, e ao uso do registo como uma memória externa ao pensamento.
  • Permitiu um pensamento mais matemático, obviamente fomentado pelo cálculo de valores em trocas comerciais. 
  • Permitiu o surgimento de sociedades com populações superiores a 150 membros (próximo do máximo para uma tribo), ao registar propriedades, valores, regras, soldados etc, dando origem a sociedades hierárquicas sustentadas por sistemas e regras, com populações muito superiores à época pré-agricultura. 

Com a escrita efectivamente fica aberto o caminho para a acumulação tecnológica. A acumulação de conhecimento leva a que novas ideias possam ser descobertas, com base no que já se conhece. Isaac Newton falava de estarmos “sobre os ombros de gigantes” (embora a expressão tenha origem medieval) isto é, o crescimento da humanidade foi e continua a ser possível, através do acumular de energia e informação.

 

O grande obstáculo, que até 1800 impediu grande avanço tecnológico, foi a ausência de pensamento científico e as sociedades altamente hierarquizadas. 

Sem pensamento científico, muitas das observações de fenômenos da natureza eram explicados por processos mágicos, deuses, e fenômenos ocultos. Por outras palavras, eram descritos como acontecimentos fora do alcance do conhecimento humano. Sem testarem as hipóteses feitas, este “conhecimento” acumulado era fundamentalmente falso, e tudo o que se construísse com base nele seria também falso. 

Com a origem do processo científico (que se desenvolveu já na grécia antiga mas efectivamente teve grande adopção na Grã-Bretanha do século XIX), o conhecimento foi progressivamente validado ao ser testado constantemente, na tentativa de adquirir modelos que explicassem de forma cada vez mais fiável o nosso universo.

Também nesta altura e local chegava ao fim uma sociedade hierárquica, com o poder do parlamento Britânico a superar as intenções da coroa Inglesa e da classe que vivia das rendas e extração de rendimentos da população produtiva inglesa. 

Estas duas coincidências levaram a que esta nova classe mercantil, com poder político e tecnológico, procurasse competir no mercado, de forma livre. 

Ficou aberta assim a fonte que levou a humanidade ao seu período de crescimento exponencial que hoje permite, a uma % cada vez maior da população mundial , viver sem fome, com electricidade, água potável, comunicações instantâneas e acesso a quantidades de informação antes indisponíveis mesmo aos maiores monarcas.

No seguinte capítulo abordarei as consequências ecológicas dessa escalada tecnológica, e porque devemos acreditar num futuro melhor. 

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